História da Língua Grega

HISTÓRIA DA LÍNGUA GREGA

Família linguística – unidade filogenética – ancestral comum.
Método comparativo – no século XIX – August Schleicher.

img1
img2

Migrações indo-européias de aproximadamente 4000 a.C. a 1000 a.C. – hipótese Kurgan.
Região púrpura: Urheimat (cultura Samara, cultura Sredny Stog).
Região em vermelho: colonizada por povos falantes de indo-europeu depois de aproximadamente 2500 a.C. Região em laranja: até 1000 a.C.

Hipótese Kurgan – evidências arqueológicas – data provável em que qualquer grupo de línguas indo-européias relacionadas começou a divergir.
Primeira divisão em línguas separadas provavelmente deve ter ocorrido muito antes de 3000 a.C.
Cultura Kurgan – expansão para oeste entre 4000-3500 a.C.
Arqueólogos podem traçar as origens da cultura Kurgan até o quinto milênio a.C.

img3

Língua protoindo-europeia
A língua protoindo-europeia (PIE) : Ancestral comum hipotético das línguas indo-europeias, tal como era falado há cerca de 5000 anos, provavelmente nas proximidades do Mar Negro ( Ponto Euxino).
Línguas indo-europeias: Albanês · Anatólio · Armênio· Báltico · Céltico · Dácio · Germânico· Helênico · Indo-iraniano · Itálico ·Frígio · Eslavo · Trácio · Tocariano
Povos indo-europeus: Albaneses · Anatólios · Armênios·Bálticos · Celtas · Germanos· Gregos · Indo-arianos · Indo-iranianos· Iranianos · Ítalos · Eslavos· Trácios · Tocarianos

História da língua grega

FASES DE EVOLUÇÃO DA LÍNGUA GREGA
Proto-grego
Micênico (c. 1600–1000 a.C.)
Grego antigo (c. 1000–330 a.C.)
Dialetos: eólico, arcado-cipriota, ático-jônico, dórico, lócrio, panfílio; grego homérico. Possivelmente macedônio.
Koiné (c. 330 a.C.–330 d.C.)
Grego medieval (330–1453)
Grego moderno (a partir de 1453)
Dialetos: capadócio, cretense, cipriota, dimotikí, griko, katharévussa, ievânico, pôntico, tsacônio
Língua protogrega
O proto-grego é o suposto ancestral comum a todas as variedades do grego.
Teorias a respeito da origem da língua grega:
– A partir da migração dos falantes do proto-grego para a península Grega entre 2500 e 1700 a.C..
– Migração para a Grécia num período pré-proto-grego, durante o protoindo-europeu tardio, com as mudanças sonoras que caracterizam o grego ocorrendo posteriormente.
– O proto-grego teria sido falado no fim do terceiro milênio a.C., muito provavelmente nos Bálcãs.

Grego micênico

Falado em: Sul dos Bálcãs/Creta
Extinção: Século XII a.C.
Família: Indo-europeia
Helênica
Grego antigo

Grego micênico
Escrita: Linear B
Mapa da Grécia (em inglês) feito de acordo com a descrição feita por Homero na Ilíada; estes dados geográficos se referem primariamente à Grécia da Idade do Bronze, quando o grego micênico seria falado.
img4
O micênico: Forma mais antiga do grego comprovada, falado na Grécia continental, bem como em Creta durante o chamado período micênico, entre os séculos XVI e XI a.C., antes da invasão dórica.
A civilização da Idade do Bronze, conhecida como micênica, existiu de 1500 a.C. a 1100 a.C
Escrita Linear B baseada na escrita Linear A, de uma língua cretense mais antiga, não indo-europeia.
Século XI a.C. a civilização micênica sofreu invasões dóricas na Grécia ocidental – redistribuição da população e dispersão dos dialetos, deixando-se de usar a Linear B.
Queda da Civilização Micênica – período de cerca de quinhentos anos durante o qual a escrita não foi usada.
Exemplos do Linear A e B
 img5
Linear B: Tabuinha encontrada em Micenas na “casa do vendedor de azeite”, de c. 1250 a.C. Em seu verso há a figura de um homem. (Museu Arqueológico Nacional de Atenas)
img6
Tabuleta contendo escritos em Linear A
img7
Escrita Linear A em fragmentos de cerâmica (Akrotiri)
img8
img9 img10
img11
Ortografia
A escrita Linear B consiste de cerca de 200 logogramas e sinais silábicos. Como o Linear B originou-se a partir do Linear A, a escrita usada por uma língua minoica provavelmente sem qualquer relação com o grego, ela não reflete em sua totalidade a fonética do micênico.
Língua grega antiga
Grego antigo
Falado em: Mediterrâneo oriental
Classificação genética:
Indo-Europeu
Helênico
Grego antigo
Dialetos: eólico, arcado-cipriota, ático-jônico, dórico, lócrio, panfílio; grego homérico. Possivelmente macedônio.
A língua grega antiga ou clássica é uma língua indo-europeia extinta, falada na Grécia durante a Antiguidade e que evoluiu para o grego moderno.
As primeiras ondas de invasores de língua indo-europeia (aqueus) chegaram à península grega, ao Peloponeso e às ilhas adjacentes no começo do segundo milênio a.C.:
Autóctones pelasgos – língua não era de origem indo-europeia  grupos consonânticos -nth- e -ss-, que são abundante em topônimos e nomes de plantas, como Korinthos, Zakinthos, akantha, etc.
A língua falada pelos invasores aqueus se fundiu com a dos gregos e a dos pelasgos (que já habitavam a região) – origem do dialeto jônico.
Dialetos do período clássico e helenístico:
Os dialetos mais importantes:

  • a) Jônico – usado por Homero e Hesíodo (utilizam ainda elementos eólicos e micênicos);
  • b) Ático – língua do período clássico;
  • c) Dórico – língua de Esparta caracterizada por certos arcaísmos. Falada no Peloponeso, Corfu, Lesbos, costas do Épiro, Creta, nas ilhas meridionais e no litoral asiático meridional desde o Halicarnasso;
  • d) Eólico – falado na Tessália e em algumas ilhas, como Lesbos e usada pela poetisa Safo.
  • e) Língua macedônia antiga – falada pelos Macedônios na Macedônia.

Dialeto jônico ou Grego clássico
Espalhou-se através da colonização jônica em áreas do norte do Egeu, do mar Negro e no Mediterrâneo ocidental.
Com o fim da Idade Grega das Trevas, no século V a.C., a parte central da costa ocidental da Ásia Menor, juntamente com as ilhas de Quíos, e Samos, passaram a formar o coração da Jônia propriamente dita.
Falado nas ilhas por todo o Egeu central, e na grande ilha da Eubeia, ao norte de Atenas.
Séculos IX e VIII a.C. – poemas homéricos escritos em dialeto jônico – Dois dos maiores poemas da história, Ilíada e Odisseia nova escrita baseada no alfabeto fenício – alfabeto grego.
O dialeto da literatura, da filosofia e da história  – O dialeto jônico se mesclou com o ático de Atenas
dando lugar a um dos períodos culturais mais ricos da história grega.
jônico antigo e o jônico novo; a transição exata entre as duas variantes não é definida com clareza, porém 600 a.C. costuma ser sugerida como uma data aproximada. Entre os mais famosos autores do novo jônico estão Anacreonte, Teógnis de Megara, Hipócrates e, durante os tempos romanos, Areteu da Capadócia, Arriano e Luciano.
Dialeto ático

 img12
Falado em Atenas entre 500 a.C. e 300 a.C. derivado do antigo dialeto jônico, fazia parte do grupo dialetal jônico.
Dialeto de prestígio do grego antigo que era falado na Ática, região onde se localiza Atenas.
Utilizado por alguns dos mais importantes autores gregos, dentre eles Tucídides, Eurípides, Platão e Demóstenes.
“Ático antigo” é um termo usado para se referir ao dialeto de Tucídides (460-440 a.C.) e os dramaturgos do célebre século V a.C. ateniense; “ático novo” é o termo usado para se referir ao idioma usado por escritores posteriores.
Existiu até o século IV a.C., quando acabou sendo substituído pela sua cria mais “universal”, o koiné
falado durante o Período Helenístico, do qual evoluiu o grego moderno.

Literatura no dialeto ático
As primeiras obras relevantes de literatura feitas na Ática são as peças dos dramaturgos Ésquilo, Sófocles, Eurípides e Aristófanes, no século V a.C., as obras de Platão, as obras de Tucídides e Xenofonte, as obras de Antifonte, Demóstenes, Lísias, Isócrates, e tantos outros.
O grego ático do filósofo Aristóteles (384-322 a.C.), cujo mentor foi Platão, já data do período no qual o ático clássico passou a se transformar no koiné.
Alfabeto ático
Cédula usada para votar contra Temístocles, filho de Néocles, durante a democracia ateniense (ver ostracismo). As duas últimas letras do primeiro nome foram escritas no sistema bustrofédon, e o E é utilizado tanto para o /e/ longo como para o curto.
O alfabeto ático clássico é formado pelas 24 letras mais familiares do alfabeto grego (em maiúsculas):

Α, Β, Γ, Δ, Ε, Ζ, Η, Θ, Ι, Κ, Λ, Μ, Ν, Ξ, Ο, Π, Ρ, Σ, Τ, Υ, Φ, Χ, Ψ, Ω.

A origem do uso daquele que se tornou o alfabeto grego clássico permanece envolta em mistério. Quando seu uso já é evidenciado como corrente, por volta do século VIII a.C., ele já estava dividido em duas variantes, ocidental e oriental, dos quais descendem respectivamente os alfabetos etrusco/latino e grego. A origem de todos está no alfabeto fenício, que foi utilizado para grafar as palavras gregas, mesmo sendo projetado originalmente para representar unicamente as letras consonantais semíticas; muitas, foram adaptadas para representar vogais, como o alef que se transformou no alfa (A) grego, o he, que virou o epsilon (E) grego, e o ‘ayin, que virou o omicron (O) grego. A criação de letras que representavam de fato as vogais foi a contribuição linguística mais revolucionária dos gregos no desenvolvimento do alfabeto.

img13

À medida que a utilidade do alfabeto se tornou evidente, as variedades locais (por vezes chamadas de “epicóricas”) começaram a surgir.

O alfabeto ático primitivo ainda não fazia distinção entre vogais longas e curtas. Também ainda não tinha as letras Ψ (psi) e Ξ (xi), e usava os dígrafos ΦΣ e ΧΣ para representar estes sons.

As letras minúsculas (α, β, γ, etc.) e o iota subscrito (uma invenção medieval) ainda faziam parte dum futuro distante. O digama, que deixou de ser usado no período clássico, tinha o valor de /w/.

Em 403 a.C. a cidade-Estado de Atenas, já com poder e influência internacional, percebeu a necessidade de uma padronização do alfabeto, e adotou oficialmente o alfabeto jônico.

Quando o cidadão comum da Grécia Antiga lia inscrições, ou o grego educado lia literatura, utilizavam-se unicamente do alfabeto jônico maiúsculo: Α, Β, Γ, Δ, etc. Na época letras minúsculas, acentos e quaisquer outro tipo de marcações sobre ou sob as letras, e mesmo a pontuação, eram completamente desconhecidos e só apareceram no grego escrito na Idade Média.

Dialeto eólico

Conjunto de subdialetos arcaicos do grego antigo falados principalmente na Beócia, na ilha de Lesbos e em outras colônias gregas.
Usado nos escritos da poetisa Safo, e por Alceu de Mitilene (poesia eólica).
Dialeto arcado-cipriota ou aqueu meridional
Falado na Arcádia, na parte central do Peloponeso, na Grécia continental, e na ilha de Chipre.
Semelhanças ao micênico sugerem que o arcado-cipriota seja seu descendente.
O proto-arcado-cipriota (por volta de 1200 a.C.) teria sido falado pelos aqueus no Peloponeso antes da chegada dos dórios, e por isso seria chamado de aqueu meridional.
As isoglossas – fronteiras geográficas de uma certa característica linguística – dos dialetos arcádios e cipriotas evidenciam que os aqueus também teriam se estabelecido no Chipre. Com a chegada dos dórios ao Peloponeso, parte da população se mudou definitivamente para o Chipre, enquanto o resto passou a ficar confinado às montanhas árcades.

Com o colapso do mundo micênico, a comunicação entre os dois polos deixou de existir, e o cipriota passou a se diferenciar do arcádio, sendo escrito até o século III a.C. no silabário cipriota.
Dialeto dórico
Suas variantes eram faladas no sul e no leste da península do Peloponeso, em Creta, Rodes e em algumas ilhas do sul do mar Egeu, em outras cidades na costa da Ásia Menor, no Sul da Itália, na Sicília, no Épiro e na Macedônia.
Hoje em dia uma teoria aceita amplamente sugere que o dórico se originou nas montanhas do Épiro, no noroeste da Grécia, antiga terra onde habitavam os dórios. O idioma se espalhou para todas as outras regiões durante as invasões dóricas (c. 1150 a.C.) e as colonizações que se seguiram. A presença de um Estado dórico (Dóris) na Grécia central, ao norte do golfo de Corinto, teria originado da teoria que o dórico teria se originado no noroeste da Grécia, ou até mesmo além dos Bálcãs. A extensão da distribuição do dialeto para o norte é desconhecida até hoje, devido à falta de evidências epigráficas.
Variantes do dórico
Dórico propriamente dito: Exatamente onde o dialeto dórico se encaixa na classificação geral dos antigos dialetos gregos depende até certo ponto de qual classificação é adotada. Existem diversos pontos de vista a respeito do assunto, embora a visão relativamente dominante seja a de que o dórico forma um subgrupo do grego ocidental; outros usam ainda os termos grego setentrional ou grego do noroeste.
Tsacônio:  um descendente do dórico lacônico (espartano), ainda é falado no sul da costa argólida do Peloponeso, nas atuais prefeituras da Arcádia e da Lacônia. Hoje em dia o dialeto é uma fonte de interesse considerável para os linguistas, por este motivo, e está ameaçado de extinção.
Lacônico: também dito lacedemônio, era falado pela população da Lacônia, no sul do Peloponeso, e por suas colônias, Tarento, e Heracleia, no sul da Itália. Esparta era o principal centro da antiga Lacônia.

Mapa da Lacônia.
img14

O argólico: era falado na região densamente povoada do nordeste do Peloponeso, como nas cidades de Argos, Micenas, Hermíone, Trézen, Epidauro, e até mesmo perto de Atenas, na ilha de Egina. Como o grego micênico havia sido falado nesta região dialetal durante a Era do Bronze, parece claro que os dórios tomaram o local, mas foram incapazes de conquistar a vizinha Ática. Da região os dórios se espalharam para Creta e Rodes. Existe um amplo corpus de material epigráfico de conteúdo legal, político e religioso no argólico, desde pelo menos o século VI a.C..

Mapa da Argólida.
img15
O coríntio ou coríntico: foi falado pela primeira vez na região do istmo de Corinto, que liga o Peloponeso à Grécia continental. As cidades e as nações onde o dialeto era falado eram a própria Corinto, Sícion, Cleonas, Fliunte, além das colônias de Corinto na Grécia ocidental, como Corcira (além das próprias colônias desta, como Dirráquio e Apolônia), Leucádia, Anactório e Ambrácia, além das colônias na península Itálica e ao seu redor, como Siracusa e Ancona. As primeiras inscrições de Corinto datam do século VI a.C., e usam um alfabeto epicórico coríntio (ver em grego ático). Corinto contradiz o preconceito de que os dórios seriam rústicos militaristas, imagem tradicional dos falantes do lacedemônio. Situados numa roda internacional de comércio, Corinto desempenhou um papel de liderança no processo de recivilização da Grécia, ocorrido após os séculos de desordem e isolamento que seguiram ao fim da Civilização Micênica.

Mapa da Coríntia.
img16
Grupo do dialeto grego do noroeste: é um parente próximo do grupo dórico, e por vezes ambas as variantes
chegam a não apresentar qualquer distinção entre si; costuma ser classificado como um subgrupo deste grupo ou como um dos dois subgrupos do grego ocidental. O tessálio ocidental e o beócio sofreram uma forte influência do grego do noroeste, que difere dos dialetos do grupo dórico em algumas características:
Dialetos:
Os dialetos do grego do noroeste são os seguintes:

  • Fócio/délfico

Plutarco menciona que os nativos de Delfos pronunciam o b no lugar do p (βικρὸν no lugar de πικρὸν)

  • Lócrio
  • Lócrio ózola, ao longo da costa noroeste do golfo Coríntio, em torno de Anfissa; seu exemplo mais antigo

encontrado por volta de 500 a.C.

  • Lócrio opúncio, ao longo da costa da Grécia continental oposta à Eubeia, em torno de Opunte.
  • Eleu

O dialeto de Élida e Olímpia é, depois dos dialetos eólicos, um dos mais difíceis para o leitor atual de textos

epigráficos; suas primeiras evidências datam de por volta de 600 a.C.

  • Koiné do grego do noroeste
  • Dialeto híbrido, com características do ático e tanto do dórico quanto do grego do noroeste
  • Associado especialmente com a Liga Etólia (300-262 a.C.); sua evidência mais antiga é o santuário de

Cálidon (cerca de 600-575 a.C.)

  • Epirota
  • Óraculo de Dodona, anteriormente sobre o controle dos tesprócios (por volta 550-500 a.C.) – Liga

Molossa do Épiro (desde pelo menos 370 a.C.)

Dialeto lócrio ou locrense: é um dialeto do grego antigo, que era falado pelos lócrios, povo que habiava a região da Lócrida, na Grécia central. Costuma ser classificado como um subdialeto do grego do noroeste, que por sua vez pertence ao mesmo grupo do dórico. Os lócrios dividiam-se em duas tribos, os lócrios ózolas e os opúncios, de maneira que o dialeto também se dividia em duas variantes, que recebiam os respectivos nomes das tribos que as falavam.

Dialeto panfílio

O grego panfílio ou panfiliense é um dialeto isolado e pouco conhecido do grego antigo, que era falado na Panfília, região localizada na costa sul da Ásia Menor, na atual Turquia. Suas origens, bem como suas relações e seu parentesco com os outros dialetos gregos, são ainda incertas.

Grego homérico

O grego homérico é a variante do grego antigo usada por Homero na Ilíada e na Odisseia. É uma versão arcaica do grego jônico, com adições de certos dialetos, como o eólico, e serviu posteriormente como base para o grego épico,

Língua macedônia antiga

 

O antigo macedônio era a língua indo-europeia falada pelos antigos macedônios, povo que habitou a região histórica da Macedônia durante o primeiro milênio a.C.. A partir do século IV a.C. foi gradualmente substituído pelo koiné, dialeto do grego antigo baseado no dialeto ático. O conhecimento do idioma é muito limitado, porque não foram descobertos de maneira incontestável textos que tenham sido escritos no idioma.

Koiné

O grego helenístico ou koiné  helenístico: Outros nomes  associados são alexandrino, patrístico, comum, bíblico ou grego do Novo Testamento.

É uma forma popular do grego que emergiu na pós-Antiguidade clássica (c.300 a.C. – AD 300).

Desenvolveu-se a partir do dialeto ático, embora tenha grande influência de elementos do jônico.

Surgiu como um dialeto comum nos exércitos de Alexandre o Grande. Foi sob a liderança da Macedônia que colonizaram o mundo conhecido, seu dialeto comum recém formado foi falado do Egito até as margens da Índia.

Chegou a servir como um língua franca no Mediterrâneo Oriental e no antigo Oriente Próximo ao longo do período romano.

Língua original do Novo Testamento da Bíblia e da Septuaginta. O koiné é o principal ancestral do grego moderno.

A passagem para o próximo período, conhecido como grego medieval, data da fundação de Constantinopla por Constantino I em 330 d.C.. O período pós-clássico do grego, portanto, refere-se à criação e evolução de todo o grego koiné e toda era helenística e romana da história até o início da Idade Média.

Koiné bíblico

 

Koiné bíblico” refere-se às variedades do grego koiné usado na Bíblia cristã e textos relacionados. Suas principais fontes são:

  • A Septuaginta
  • O Novo Testamento, compilado originalmente em grego (embora alguns livros podem ter tido um substrato hebraico-aramaico e contenham alguma influência semita na língua).

Diferenças entre o ático e o grego koiné

 

O estudo de todas as fontes de seis séculos, que são simbolicamente abrangidos pelo Koiné revela mudanças linguísticas do grego antigo sobre elementos da língua falada como:

  • fonologia
  • morfologia
  • gramática
  • vocabulário

Epitáfio de Seikilos

Enquanto viveres, brilha; não sofras nenhum mal. A vida é curta; e o tempo cobra suas dívidas.

 img17

Hoson zés, pháinou, medén hólos sý lýpou,

Pros olígon estí to zén, To télos ho khrónos apaitéi

 img18

 

O epitáfio de Seikilos é famoso por ser o mais antigo exemplo encontrado de uma composição musical completa, incluindo notação musical e letra no mundo ocidental(entre 200 e 100 a.C.). Uma melodia da música grega foi encontrada gravada em uma lápide perto de Aidin na Turquia (próximo a Éfeso).

Grego medieval

O grego medieval é um termo linguístico que descreve o terceiro período na evolução histórica do idioma grego. Seu desenvolvimento se situa, por convenção, entre os anos 330 (fundação de Constantinopla) e 1453 (queda da cidade em poder do Império Otomano). O grego foi a principal língua do Império Romano do Oriente e, posteriormente, a língua oficial do Império Bizantino até que sua capital, Constantinopla (antiga Bizâncio) foi conquistada pelos otomanos, em 1453. O grego falado durante este período é conhecido como grego medieval ou bizantino.

Grego moderno

Grego moderno (Νέα Ελληνικά ou Νεοελληνική), historicamente também conhecido por Ρωμαίικα (Romaico). Refere-se ao quinto estado de evolução da Língua Grega, isto é, às variedades do Grego falado no presente. O início do período da língua grega conhecida por “Grego Moderno” é simbolicamente atribuído à queda do Império Bizantino em 1453, embora rigorosamente se deva atribuir a sua gênese ao Século XI. Desde então, a língua permaneceu numa situação de diglossia, com dialetos regionais falados, que existiam conjuntamente com as formas arcaicas escritas. Notavelmente, esta situação durou até ao Século XX com uma versão reconstruída do grego antigo denominada Katharevousa. Atualmente, o Grego Moderno Padrão, uma forma padronizada de Demótico, é a língua oficial, tanto da Grécia como de Chipre.

Classificação

O Grego forma um ramo independente das Línguas Indo-Europeias. Entre as formas sobreviventes do Grego, à exceção do dialeto Tsakoniano, todas são descendentes da linguagem comum supra regional (Koiné) que era falada na Antiguidade tardia. Nesse caso, podem ser consideradas como descendentes do Ático, o dialeto falado na região circundante de Atenas na era clássica. O já referido dialeto Tsakoniano, que é falado atualmente numa comunidade do Peloponeso, é descendente do antigo dialeto Dórico. Alguns dos outros dialetos preservaram elementos dos dialetos não áticos, mas o Koiné Ático é, apesar de tudo, considerado por muitos estudiosos a principal origem destes dialetos.

Distribuição geográfica

Falado por cerca de 14 a 17 milhões de pessoas, principalmente na Grécia e no Chipre. Há

também falantes do grego nos países vizinhos, Albânia, Bulgária e Turquia, assim como em vários países na região do Mar Negro (Ucrânia, Rússia, Geórgia, Armênia) e ao redor do Mar Mediterrâneo (Sul da Itália, Israel e Egito). Países com notável número de falantes de grego como língua estrangeira são a Sérvia, Albânia, Bulgária e Romênia. O Grego é também uma das Línguas Oficiais da União Europeia.

Variedades

Os principais dialetos do Grego Moderno são:

  • Grego Demótico (Δημοτική): este dialeto era a linguagem vulgar dos Bizantinos da Grécia, Ásia menor e Constantinopla. O Grego Demótico é a língua oficial da Grécia e do Chipre, e é também denominado “Grego moderno comum” ou, menos precisamente, “Grego moderno”. O Grego Demótico apresenta variedades regionais, que estão divididas em duas subcategorias principais: os dialetos do Norte e os dialetos do Sul. Dialetos do Norte: dialetos da Rumélia, de Épiro, da Tessália, da Macedónia e da Trácia.

Dialetos do Sul: estão divididos em grupos, que incluem dialetos de  Mégara, Égina, Atenas Clássica, Cime e Península de Mani, Peloponeso (exceto Mani), Cíclades, Creta, Ilhas Jónicas e Norte de Épiro, Dodecaneso e Chipre.

 

O Grego Demótico é oficialmente ensinado usando a Ortografia Monotônica, desde 1982.

 

  • Katharevousa (Καθαρεύουσα): Um socioleto semiartificial promovido no século XIX quando da fundação do Estado Grego moderno, como compromisso entre o Grego Clássico e o Demótico moderno. Foi o idioma oficial da Grécia moderna até 1976. O Katharevousa é escrito na Ortografia Politônica grega. No entanto, enquanto o Grego Demótico contém palavras derivadas do Turco, Italiano, Latim e outros idiomas, estes têm sido majoritariamente proscritos do Katharevousa.

 

  • Tsakoniano (Τσακωνικά): Atualmente falado apenas em 10 vilas ao redor da cidade de Esparta na região da Lacônia no sul do Peloponeso. O Tsakoniano evoluiu diretamente do Laconiano (antiga língua espartana) e, por conseguinte, a partir da ramificação dórica da língua grega. Ele não tem a herança do Koiné helenístico e é significativamente diferente de todos os seus dialetos-filhos (como o Demótico e o Pôntico)

 

  • Pôntico (Ποντιακά): Originalmente falado no Ponto, região da Ásia Menor, até que grande parte de seus falantes foi expulsa para a Grécia continental, durante a grande troca da população entre Grécia e Turquia, que seguiu à destruição de Esmirna. Descende do Helenístico e do Koiné Medieval, mas preserva características do Jônico desde as antigas colonizações.

 

  • Capadociano (Καππαδοκικά): Um dialeto com destino semelhante ao Pôntico. Descende diretamente das línguas Alexandrina e Bizantina, e seus falantes instalaram-se na Grécia durante as grandes mudanças de populações.

 

  • Italiano do Sul (Κατωιταλικά ou Griko): Falado por cerca de 15 vilas nas regiões de Calábria e Apúlia. Este dialeto é o último traço vivo dos elementos helênicos no Sul da Itália, que outrora formou a Magna Grécia. Origina-se diretamente dos dóricos que colonizaram a área, procedentes de Esparta e Corinto em 700 a.C. e por isso deriva diretamente do ramo dórico do grego antigo. Evoluiu independentemente do Koiné helenístico, mas foi bastante influenciado pelo grego medieval, que deriva do grego ático. Assim, o griko e o moderno grego comum são mutuamente inteligíveis a certo nível, mas o primeiro partilha muitas características com o tsakoniano que também deriva do ramo dórico.

 

  • Ievânico: Recentemente extinto, era falado pelos judeus romaniotas. Já estava em declínio quando a maior parte dos falantes morreu no Holocausto e os poucos remanescentes emigraram para Israel, onde adotaram o hebraico moderno.

Demótico como grego moderno padrão (Koiné)

O grego koiné moderno é a continuação natural do Grego koiné, um dialeto grego antigo (também conhecido como a “Língua Alexandrina”), que surgiu após as conquistas de Alexandre, o Grande e da helenização do mundo conhecido. O koiné assimilou muitos elementos helénicos provenientes de diversos dialetos diferentes (como jônico, dórico e eólico), mas o seu núcleo foi o ático (o dialeto de Atenas). O koiné helenístico foi falado em várias formas diferentes na região da Grécia e do mundo, durante todo o Período Helenístico, períodos romanos e bizantinos, até que se tomou a forma popular na Idade Média. Após a independência da Grécia do Império Otomano, o mesmo estatuto de dupla linguagem do falecido Império Bizantino foi readaptado. O discurso demótico (uma expressão semelhante a “popular”) e o dialeto oficial  Katharévousa (“purificado”). O demótico era a língua de uso diário, e o katharévousa era uma forma arcaica (mais perto do ático) utilizado para documentos oficiais, literatura, escritos formais e outros fins. Em 1976 o katharévousa foi substituído pelo demótico como a língua oficial do Estado grego. Durante a sua longa história o idioma grego tinha assimilado alguns vocábulos de várias línguas como o latim, italiano e turco, uma grande parte dos quais eram proscritos artificialmente pelo “purificado” katharévousa.

Grego cretense
O grego cretense é um dialeto do grego, falado por mais de meio milhão de pessoas na ilha de Creta.

Nos principais centros da  diáspora grega o dialeto também continua a ser usado pelos descendentes de cretenses, especialmente nos Estados Unidos, Austrália e Alemanha. Além disso, os descendentes de diversos muçulmanos cretenses que abandonaram a ilha durante o século XIX e início do século XX continuam a usá-lo. Na Turquia são chamados de turcos cretenses. Existe um grupo de turcos cretenses que habita a cidade costeira de Al-Hamidiyah, na Síria, e os territórios vizinhos naquele país e no Líbano.

Hoje em dia o dialeto cretense raramente é usado na escrita. No entanto, os gregos cretenses costumeiramente se comunicam uns com os outros no dialeto; o cretense não é muito diferente dos dialetos do grego moderno ou mesmo do grego padrão, e têm um grande nível de intelegibilidade mútua com eles.

Como quase todos os outros dialetos do grego moderno, o cretense descende do Koiné. Sua estrutura e seu vocabulário preservaram diversas características diferentes do grego padrão, devido à distância de Creta dos principais centros da Grécia.

Influências de outros idiomas: árabe (a conquista de Creta pelos árabes, em 824), veneziano (a ilha permaneceu sob o controle de Veneza por quase cinco séculos) e turco (conquista otomana de 1669).

Griko

Griko, também escrito como Grico, é uma língua da Itália. É um dialeto do grego, chamado pelos gregos de Katoitaliotika (em grego: Κατωιταλιώτικα, “sul-italiano”) ou Grekanika (Γραικάνικα).

Άντρα μου πάει

Τέλω να μπισκεφτώ, να μη πενσέφσω
Να κλάφσω τσαι να γελάσω τέλω αρτεβράι
μα μάλι’ αράτζια έβο ε’ να κανταλίσω
στο φέγγο ε’ να φωνάσω ο άντρα μου πάει
Άντρα μου πά—-ει, άντρα μου πά—ει

Τσ’ ε οι αντρώποι στε μας πάνε στε ταράσσουνε
ντ’ άρτει καλοί ους τωρούμε του σ’ ένα χρόνου
έτο ε ζωή μα ε του, ε ζωή Κριστέ μου
μα πα τσαι στη Γκερμάνια κλαίοντα μα πόνο
Κλαίοντα μα πό—-νο, κλαίοντα μα πό—νο

Τάτα γιατί εν να πάει, πέ μα γιατί
Γιατί έτο έν ‘ναι ζωή μαρά παιδία
Ο τεκούντη πολεμά τσ’ ιδρώνει
να λιπαριάσει ου σινιούρου μου τη φατία
Μου τη φατία, μου τη φατία

Στέκω τη μπάντα τσαι στέκω εντώ σόνο
στέω πουμμα σα τσαι στε πένσεω στο τρένο
πένσεω στο σκοτεινό και στη μινιέρα
που πολεμώντα ετσεί πεθαίνει ο γένο
Πεθαίνει ο γένο, πεθαίνει ο γένο

Oria mou pisoulina

Oria mou pisoulina che galanta

Hairoumeni pou panta

kai paei gelonta

Paei gelonta ninela

Emoiazei to garofedo ti chianta

Pougiai ti primavera

kai paei petonta

Paei petonta ninela

Ego se kano deka hronou panta

Che den sachiamu mai

Se kanononta

Se kanononta ninela

Catarévussa

Catarévussa (em grego: καθαρεύουσα, transl. katharévussa, lit. “língua purificada”) é uma forma do idioma grego criada no início do século XIX por Adamántios Koraís (1748-1833).

Korais rejeitava a influência bizantina na língua grega e era um crítico ácido da ignorância do clero e sua submissão ao Império Otomano. A katharévussa foi concebida para expurgar do grego os aportes estrangeiros sem, porém, voltar ao grego antigo.

Após a Segunda Guerra Mundial, um amplo e longo debate político opunha os defensores da forma popular, o grego demótico (em grego δημοτική, dimoktikí), aos partidários da catarévussa.

A catarévussa recebeu estatuto de língua oficial em 1830, mas nunca se tornou de uso corrente (não era de facto a língua do povo) e em somente 1976 foi substituída pelo grego demótico.

Entre em contato com o professor de grego